sábado, 26 de fevereiro de 2011
O Empurrão
A águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho. Seu coração se acelerou com emoções conflitantes, ao mesmo tempo em que sentiu a resistência dos filhotes a seus insistentes cutucões. “Porque a emoção de voar tem que começar com o medo de cair?”, pensou ela? O ninho estava colocado bem alto de um pico rochoso. Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes. E se justamente isto agora não funcionar? Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento. Sua missão estava prestes a se completar, restava ainda uma tarefa final: O empurrão. A águia encheu-se de coragem. Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas não haverá propósito para sua vida. Enquanto eles não aprenderem a voar eles não compreenderão o privilégio que é nascer águia. O empurrão era o menor presente que ela poderia oferecer-lhes. Era seu supremo ato de amor. Então, um a um, ela os precipitou ao abismo. E eles voaram! Ás vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia. São elas que nos empurrão para o abismo. E quem sabe não são elas, as próprias circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar?
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